Cérebro do Atleta – UFC 194

washington-tratadaNo final de semana aconteceu o UFC 194, e a luta principal foi entre José Aldo e Conor McGregor; a outra luta, não menos importante, foi entre os dois lutadores americanos, Chris Weidmam e Lucke Rockhold  Nas duas lutas, o que estava em jogo era o cinturão e, coincidentemente, os dois campeões perderam o cinturão para os desafiantes.

Mas quero focar hoje na luta do José Aldo, que surpreendeu todo mundo ao ser nocauteado em apenas 13 segundos de luta. Nas redes sociais, o que vi foi uma enorme critica ao nosso campeão, o que em certa medida é normal. As pessoas ficaram decepcionadas, não foi o show que gostaríamos e o desejo de todos era ver o José Aldo dando uma surra no McGregor.

Jose Aldo é um ídolo, e por uma derrota ele não deixa de ser um grande campeão, pelo menos no meu ponto de vista. Acho que assisti à luta umas 200 vezes, e o que me pareceu claro foi que nosso campeão entrou no tatame com muita raiva. Talvez não o tenha afetado durante a luta, nem tenha sido o motivo de sua derrota, mas certamente vinha afetando-o antes. Quem tem raiva não tem concentração, não consegue fazer uma avaliação objetiva da situação, tomar decisões precisas, pesando prós e contras. Em qualquer esporte, isso é fatal!

Com a intensidade dos treinos e o foco voltado para a técnica, geralmente a parte mental fica em segundo plano. Não tenho nada contra a blindagem que os técnicos fazem com seus atletas, principalmente com os de grande expressão na mídia, mas em minha opinião isso transfere a eles uma sensação de onipotência perigosa, porque também cria uma sensação encoberta: o medo de perder o destaque conquistado, e com ele os patrocínios, os fãs…e arcar com as críticas.

A neurociência já demonstrou que o cérebro está sempre no comando. Muitas vezes, em ambientes hostis, ele [o cérebro] sabe que algo não está certo mesmo antes do sentimento se tornar consciente. Ou seja, em muitos atletas esse medo está tão bem escondido, camuflado, encoberto, que nem ele consegue detectar essa angústia, que pode e vai se manifestar de alguma forma, sempre prejudicial.

Por isso, o trabalho mental para o atleta é fundamental e a grande mudança que temos que ter em nosso esporte é dar um espaço maior para a psicologia e para outros profissionais, juntando forças e conhecimentos para ajudar ao atleta em todas as suas necessidades.

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Washinton Luis Pedrette é Psicólogo Clinico (CRP 06/122364), com pós-graduação em Neurociência Aplicada à Educação. Atua principalmente no desenvolvimento cognitivo de atletas de alto rendimento. 

Contato email: pedrettepsi@gmail.com

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